Você está vivendo sua vida ou a vida que esperam de você?


Sabe aquele domingo em que você começa a assistir a um filme sem observar a sinopse? Pois bem.

Eu estava indo ao trabalho e escolhendo qual filme poderia assistir no transporte, visto que são 1h40 de viagem — ou seja, o tempo de assistir a um filme. Apareceu como opção um filme da Angelina Jolie, Life or Something Like It, que, traduzido, é “Uma Vida em Sete Dias”. Eu definitivamente não li nada antes sobre ele.

O filme começou bem leve, com uma repórter, interpretada por Angelina Jolie, que aparentemente tem uma vida perfeita: o trabalho dos sonhos, amigas, um namorado famoso… e ela vivia normalmente até entrevistar um homem em situação de rua que previa o futuro. Ele previu que ela morreria e que não alcançaria o novo trabalho que estava apenas aguardando ser chamada.

Isso fez com que ela olhasse para a própria vida e se perguntasse se realmente estava feliz fazendo aquilo. E a vida da personagem simplesmente virou de ponta-cabeça (pode conter alguns spoilers).

E é aquele momento em que você também começa a rever a sua própria vida.

Eu senti afinidade — não porque eu pensava que iria morrer ou algo do tipo, mas porque notei que, por mais que eu tivesse alcançado um bom trabalho e tivesse uma vida estável, eu não estava feliz.

Eu me senti como a Lanie, questionando qual é o sentido da vida e por que estou fazendo algumas coisas que antes faziam sentido, mas que, no momento atual, já não fazem mais.

E vem aquela questão: e se eu morrer amanhã? O que eu fiz hoje para mudar a minha vida?

Foi muito parecido com a história da Lanie, porque muitas vezes não paramos para pensar que, em algum momento, vamos morrer. E o que estamos fazendo? Apenas seguindo o que a sociedade disse que é certo ou errado?

Sei que poucas pessoas falam sobre a morte com naturalidade, mas confesso: quando comecei a pensar dessa forma, que amanhã posso morrer e tudo bem, porque eu fiz o que eu tinha vontade, até a minha ansiedade melhorou. Eu comecei a perceber que a vida se tornou mais leve.

A morte é algo natural, todos nós vamos passar por isso — mas, mesmo assim, não gostamos de falar sobre o assunto. E por quê?

Enfim, quando me dei conta de que precisava mudar o que me incomodava, percebi que precisava tomar um rumo na minha vida em que eu pudesse olhar para ela e pensar: “estou em movimento, estou fazendo algo que me aproxima do que me faz feliz e realizada”.

E esse processo é curioso, porque em um dia você está ali, no seu trabalho, com uma vida relativamente estável, e no outro você está sem trabalho, buscando uma vaga, um estágio, tentando se reinserir no mercado com uma nova profissão.

E quando as portas não se abrem, começamos a olhar para nós mesmos e pensar: o que tem de errado comigo? O que posso melhorar nas minhas atitudes?

E, nesse caminho, vamos percebendo que nem tudo na vida é ter um trabalho estável. Chegamos a entender que existem coisas mais importantes, como cuidar da nossa saúde, pensar em como envelhecer de forma saudável, aproveitar o tempo com mais sabedoria.

Deixar de comprar excessivamente para se sentir pertencente a um grupo (capitalismo) também passa a fazer sentido.

A gente se torna um ser mais consciente — e até a comunicação com outras pessoas pode se tornar mais desafiadora, principalmente quando elas esperam que você seja igual a todo mundo, que siga a massa.

Mas, com o tempo, você se acostuma com esse estilo de vida e entende que não precisa ter tanto sucesso profissional se sua saúde mental não está bem.

Obviamente, no começo dessa transição, eu me senti muito perdida e com o psicológico abalado. Mas hoje eu enxergo isso como um tipo de “detox” dessa vida em que todo mundo tenta se encaixar — seja por pressão social ou até por sobrevivência.

Mas uma coisa é real: viver a vida que os outros esperam que você viva é uma das maiores prisões que existem.

E ter consciência de que a vida é um sopro — e que não faz sentido gastar energia em coisas que não nos fazem felizes — é uma das maiores dádivas que podemos ter.

Cuide-se.

Beijos e até o próximo.

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