Dopamina rápida: nos viciamos nas redes sociais e como você pode mudar esse comportamento


Muitas vezes você acha que não tem tempo para fazer nada — e realmente isso acontece. Quando você percebe, já se passaram 2, 3 ou até 4 horas na frente das redes sociais. E o que isso mudou na sua vida?

Você encheu seu cérebro de informações que vai usar como? Ou apenas passou tempo vendo o que outras pessoas estavam fazendo e entrou em um limbo de comparação?

Você se cansa mentalmente e sente que não tem tempo para realizar o que realmente gostaria. E, a cada dia que passa, são pastas e mais pastas de arquivos salvos, ou o direct dos seus amigos cheio de reels enviados.

Que fique muito claro: eu não quero me colocar na posição de quem não vive isso. Pelo contrário. Eu vivi isso e cheguei a um ponto em que fiquei mentalmente cansada e me perguntando: o que estou fazendo da minha vida e do meu tempo?

Eu sou o tipo de pessoa que gosta de se desafiar e fazer coisas que nunca fiz — “me aventurar em novas atividades”, eu diria. Mas, em muitos momentos, me encontro nessa posição de passar muito tempo nas redes sociais e não usar o meu tempo como realmente gostaria.

Muitas vezes deixei de fazer coisas ou de participar de momentos reais para ficar postando stories, vendo quem visualizou e interagindo digitalmente, sem realmente viver e estar presente no momento com as pessoas que estavam comigo.

Percebi isso nos últimos dias: eu já estava novamente viciada nas redes sociais.

No ano passado eu fiz um detox de redes sociais. Fiquei um tempo fora, excluí aplicativos do celular e, em alguns casos mais graves, deletei completamente uma rede — que depois voltei a usar. Mas percebi que preciso observar novamente esse comportamento.

Com uma cabeça mais madura, pensei: o que eu posso fazer para melhorar isso? E decidi compartilhar algumas atividades que me ajudam diariamente nesse objetivo.


Entendendo o vício em dopamina rápida

Busquei alguns conteúdos na internet para entender melhor o vício em dopamina rápida das redes sociais e o que eu poderia fazer para me ajudar a sair desse ciclo.

Esse vício chega de forma totalmente inofensiva. Quando você se dá conta, já está empregando seu tempo em algo que muitas vezes gera mais frustração do que satisfação.

Eu estava tão viciada que, quando comecei a escrever este texto, há uma semana atrás, não consegui desenvolvê-lo.

Inclusive escrevi isso:

"Minha cabeça está bugada sobre o que escrever. Eu gostaria de falar sobre a dopamina rápida das redes sociais."

Agora estou voltando para contar como comecei a me observar. Vi alguns vídeos no YouTube sobre como melhorar esse comportamento digital, e comecei a colocar algumas práticas em ação para vir aqui compartilhar mais sobre isso.


O primeiro passo: consciência

A primeira coisa foi reconhecer que tenho esse comportamento e que eu quero mudar.

Acredito que apenas ouvir alguém falar sobre isso não muda nada na sua vida. Você precisa, em primeiro lugar, se colocar no lugar de observar a si mesmo.

Algo que funcionou muito comigo foi incluir atividades na minha rotina que também geram dopamina — mas de forma saudável.

Existem muitas atividades, e eu vou mencionar algumas que funcionam para mim.

É muito importante que você faça disso algo prazeroso, e não algo rígido. Se esse processo se tornar rígido demais, é provável que você ache chato e desista no meio do caminho.

Essa dica, para mim, vale para praticamente tudo na vida — até para atividades com maior responsabilidade.

Muitas vezes as pessoas me perguntam como consigo fazer tantas coisas, e essa mentalidade de tornar tudo mais leve me ajuda muito.

O que ajuda também é pensar no objetivo:

Por que estou fazendo isso? O que eu ganho com isso?

Quando fazemos isso, nosso cérebro entende que é uma atividade de ganho real. Afinal, o cérebro naturalmente quer economizar energia e evitar mudanças.

Dito isso, vamos às mudanças de hábitos.


Exercícios físicos

Esse é o mais falado — e com razão.

O movimento ajuda a estimular a dopamina de maneira saudável.

Mas muitas vezes encaramos o exercício como um peso, quando na verdade ele é essencial não só para o bem-estar mental, mas também para uma velhice saudável.

Se você não tem o hábito, o mais importante é começar com uma atividade que você goste.

Pode ser:

  • dança

  • algum esporte

  • caminhada

  • yoga

  • pilates

Depois que o corpo se acostumar ao movimento, você pode incluir musculação.

Comigo sempre funcionou assim: começar com algo que gosto e depois incluir algo que meu corpo precisa.


Atividades criativas

Aqui o leque é enorme.

Vou compartilhar algumas atividades que eu amo:

  • escrever

  • fazer crochê

  • cozinhar uma receita nova

  • costurar

  • tocar um instrumento musical

  • pintar

  • desenhar

  • montar moodboards de looks

Essas atividades estimulam a criatividade e geram dopamina de maneira mais equilibrada.

Com o tempo, você começa a se autoconhecer melhor e valorizar momentos simples que antes passavam despercebidos.


Pequenas metas diárias

Você não precisa ler um livro por semana.

Mas ler duas páginas por dia já é uma grande vitória.

Outros exemplos:

  • estudar um idioma por 30 minutos

  • assistir um vídeo no idioma que você está aprendendo

  • ouvir músicas e acompanhar a letra

  • escrever em um diário

  • organizar sua agenda da semana

  • planejar um look no dia anterior (pesquisar referências no Pinterest)

  • organizar o guarda-roupa

  • desapegar de coisas que você não usa mais

Cada pequena conquista gera uma grande sensação de progresso.

A ideia é fazer um pouco todos os dias.


Viver o aqui e agora

Muitas vezes estamos em um lugar, mas nossa atenção está no celular, vendo o que outras pessoas estão fazendo.

Isso nos impede de viver verdadeiramente o momento presente.

E uma confissão: eu acho extremamente mal-educado quando estamos em uma roda de amigos e alguém não larga o celular, não conversa e não participa da conversa.

Mas enfim… isso também é um desabafo.

Experimente:

  • tomar um café prestando atenção no sabor

  • observar a xícara, a cor, a textura

  • ouvir uma música com atenção plena

  • assistir a um clipe sem checar notificações

  • caminhar observando a natureza

  • observar o céu, o sol ou a lua

Uma das coisas mais bonitas que aprendi foi observar minhas gatas.

Com elas aprendi algo muito importante: descansar.

Algo que antes eu sentia culpa em fazer.


Ativar o circuito de recompensas do cérebro

Nosso cérebro libera dopamina quando aprendemos algo novo.

Algumas maneiras simples de fazer isso:

  • assistir a um documentário

  • aprender uma palavra nova em outro idioma

  • pesquisar algo novo sobre um assunto que você gosta

No meu caso:

  • aprender um novo acorde no violão

  • aprender um passo novo no ballet


Interações reais

Sabe aquele famoso “depois a gente marca”?

Que tal realmente marcar?

Conexões reais também são muito importantes para o nosso bem-estar.


Uma dica simples de autocontrole

Uma estratégia que eu tento usar é a seguinte:

Toda vez que pego o celular para abrir redes sociais, tento primeiro fazer uma pequena ação:

  • ler algumas páginas de um livro

  • alongar

  • beber água

  • fazer uma pequena tarefa que estou procrastinando

Muitas vezes, depois disso, a vontade de abrir as redes sociais simplesmente passa.


Um equilíbrio saudável com as redes sociais

Para finalizar, este texto não é para dizer que você não deve usar redes sociais.

Muito pelo contrário.

A interação digital pode ser muito positiva.

A ideia aqui é usar as redes sociais com mais consciência, sem sentir aquela sensação de:

"Nossa, perdi muito tempo aqui."

E sim ter a sensação de que você está utilizando a tecnologia de forma saudável.


Eu espero muito que você tenha gostado dessas reflexões.

E me conta: você também já se sentiu engolido pelas redes sociais?

Um grande beijo e até o próximo texto.

Comentários