O mundo exige produtividade, mas o corpo feminino funciona em ciclos


Já se deparou com aquele momento em que seu corpo pede descanso, pede uma pausa nas atividades, e você tem uma lista imensa de coisas para fazer?

Vivemos em uma era de muita produtividade. Mas quando isso começou? E por que começaram a normalizar o excesso de produtividade como algo positivo? Por favor, parem.

Hoje eu estava refletindo sobre ser mulher e ter ciclos. Nosso corpo não é linear, ele tem ciclos que muitas vezes ignoramos para ser ou parecer uma máquina. Sabe, por alguns anos eu fui assim, mas, no fundo, eu sempre achava que estava errada e pensava: eu não sou uma máquina.

Mas, ao mesmo tempo, precisamos mostrar a nossa produtividade, ou até mesmo ser simpáticas o tempo todo, fazer o nosso meio de campo no mundo corporativo, porque isso é importante, sim. E, mesmo que a empresa tenha uma cultura disso ou daquilo, no final das contas você precisa ser de ferro e ignorar todos os sinais do seu corpo para estar sempre produzindo. (Esse foi um desabafo de quem trabalhou por anos no CLT e tinha o sonho de crescer na carreira.)

A minha maior vontade hoje é dizer para você respeitar o seu corpo, mas entendo que muitas pessoas também não têm esse privilégio ou ainda não encontraram uma forma de fazer com que o trabalho não seja tão árduo a ponto de você precisar ignorar o seu corpo e não conseguir ter uma pausa para ficar deitada, fazendo nada, apenas descansando.

Olha que eu digo isso, mas também tenho uma lista imensa de coisas que eu gostaria de fazer. E, estando em um ciclo menstrual, parei para refletir sobre como o turbilhão de pensamentos aparece, principalmente aquele: “nossa, você vai descansar?”. Você se propôs a fazer essa lista de coisas, e logo a cobrança interna começa a dizer: “você é fraca”.

É uma sensação de consciência do corpo e, ao mesmo tempo, uma cobrança para você estar sempre em produção.

Depois da minha mudança de carreira, a minha vida mudou completamente. Atualmente, não estou trabalhando na área de comunicação, mas escrevo aqui meus pensamentos e espero muito que, em algum momento, eles possam ajudar alguém, porque, de verdade, esse é o meu maior intuito.

Hoje, meu trabalho é mais tranquilo, principalmente nos finais de semana. Durante a semana, me dedico à faculdade, às leituras, aos filmes, a cuidar do corpo e a um hobby que amo, que é estudar música. Eu entendo que nem todas as pessoas conseguem fazer isso, porque precisam de uma renda para pagar aluguel, sustentar os filhos e etc. Eu lembro que, quando era criança, meu pai trabalhava em dois lugares, porque éramos cinco irmãos, e minha mãe não trabalhava fora. Ou seja, meu pai trabalhava todos os dias, sem folga, por longos anos.

Imagina o que ele viveu de diversão na vida dele? Eu não lembro de ele ter um hobby, de fazer algo além de trabalhar.

E, por alguns anos, eu segui o exemplo dele: trabalhar no CLT e fazer algo em paralelo, porque sempre pensei que os ovos não podem ser guardados em uma única cesta.

E foi muito bom para mim, por um tempo, até eu chegar à exaustão.

Nunca fui diagnosticada com burnout, mas o trauma de CLT segue invicto. Eu sinto vontade de voltar a trabalhar no CLT porque preciso de um salário melhor, de mais benefícios, mas ainda não me sinto preparada psicologicamente.

Eu encontrei um caminho do meio, em que consigo fazer o que gosto, mas isso também reflete na minha vida financeira. Ou seja, como dizia Charlie Brown Jr., a cada escolha uma renúncia. Essa é a vida.

Mas, voltando ao ponto da consciência corporal, desacelerar quando necessário é algo totalmente desafiador. Esses dias, inclusive, eu falei um pouco sobre dopamina rápida aqui no blog, porque me senti uma grande viciada em redes sociais. E, nas redes sociais, é impossível não entrarmos em comparação com pessoas que estão sempre postando sobre produtividade, sobre estar em lugares, viagens e etc.

E, para você conseguir desligar e viver a sua vida, a primeira coisa a se fazer é se afastar de ambientes que geram cobrança e comparação. Cada pessoa tem a sua vida, você não é todo mundo.

E, quando nos desligamos e começamos a observar o nosso corpo, esse hábito começa a ser espontâneo. Você começa a perceber como se sente após comer determinado alimento, como se sente quando bebe mais água, como se sente ao ignorar as redes sociais e dormir mais cedo, como se sente ao substituir o uso constante do celular por livros, como se sente ao acordar e, em vez de pegar o celular, fazer um alongamento, como se sente ao dar uma pausa para o seu corpo.

E o maior ponto aqui é observar o seu corpo, como você acorda, e começar a valorizar o que faz bem para você. Até porque, se você sabe o que é bom para você, por que insiste em fazer algo que não faz bem?

Essa frase me fez mudar muita coisa na minha vida, e ela se tornou o meu bordão.

Então, antes de repetir qualquer atitude que todos à sua volta estão normalizando, comece a se questionar: até que ponto isso é importante para a minha vida?

Somos individuais e merecemos um tratamento individual e personalizado.

Que você tenha esse despertar de consciência e consiga desenvolver esse amor por você e pelo seu corpo.

Um grande beijo e até o próximo.

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