Machismo não é só opinião política — é comportamento diário


Muitas vezes o discurso é bonito, mas as atitudes também são?

Nos últimos tempos, tenho observado muito o comportamento de pessoas que se julgam muito corretas ou que apenas querem dar opiniões não solicitadas sobre o que é melhor — ou não — fazermos da nossa vida. E, depois que eu comecei a observar isso, confesso: não me sinto mais mal ou culpada por não estar fazendo algo ou por não colocar em prática algumas coisas que eu gostaria.

Muitas vezes, as pessoas querem te convencer de algo sobre determinado assunto, mas, as vezes, não têm propriedade para falar sobre ele. Por exemplo: uma pessoa quer te dizer como você pode ter mais calma, sendo que ela é a primeira a estourar com as pessoas à sua volta. Ou seja, o discurso se torna incoerente. Porque, se você fala de algo e acha que alguém deve colocar aquilo em prática, o mínimo é que você também execute.

Mas, em terra de rede social, quem é real é rei — e enxergar isso faz com que a gente se torne mais criteriosa e menos alguém que apenas segue a massa.

O tema que tem me deixado bem preocupada nos últimos dias é o machismo e como ele continua muito vivo.

Tenho observado que não se trata apenas do machismo com o qual convivemos, mas das atitudes das pessoas, que apenas repetem o que aprenderam e não param para avaliar seus próprios comportamentos. Ser um adulto funcional não define sua sexualidade, não te torna menos masculino e não tira sua identidade. Mas, infelizmente, muitas criações foram baseadas nisso. E por quê? Por que não questionamos o porquê? Apenas repetimos.

Depender de uma mulher para organização, ou para dizer “seria bom trocar isso ou aquilo”, e só agir quando alguém cobra.

Reclamar da vida, das coisas, e não conseguir ter uma atitude para mudar o que não agrada.

E agora, com a dopamina fácil, como lidamos com isso? Se tudo parece tão mais simples, quando, na verdade, pode estar prejudicando o pensamento crítico e a disposição para ir à vida e fazer algo útil? É claro que antes também não era perfeito, mas, com o celular na mão, isso se intensifica.

Vemos muitas atitudes criminosas que acontecem por conta desse machismo estrutural e, muitas vezes, eu me pergunto: onde vamos parar?

Quem poderia estar fazendo algo em prol dessa questão para ajudar na criação dos meninos? Será que apenas criar uma lei de criminalização da misoginia ajudaria?

E a consciência social?

Não estou indo contra a lei — muito pelo contrário, acredito que seja algo válido —, mas é preciso cortar o mal pela raiz e influenciar, inclusive, mães que reproduzem esse comportamento, para que tenham uma visão mais consciente de que todos nós, como cidadãos, precisamos ser adultos funcionais.

Esse texto foi mais um desabafo do que qualquer outra coisa.

Um beijo e até o próximo.

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