Sabe aquela frase que nossa mãe fala para a gente na infância? “Um dia eu vou para bem longe, sem dar nenhuma explicação.” Por um momento, eu achei que isso fosse um tipo de manipulação, mas, na verdade, é tão comum ter essa sensação de não querer mais, de querer sumir, de largar tudo e recomeçar do zero e comecei a entender essa frase na minha fase adulta. Muitas vezes, você pensa em sumir, mas nem imagina o recomeço, não pensa em como poderia ser, porque, no momento, o desejo que você sente é simplesmente o de fugir do momento atual, não sobreviver àquele momento de dor e aos momentos desconfortáveis.
Quando a gente pensa em sumir, é porque a situação já atingiu o limite da nossa saúde emocional, e essa situação já não está nos fazendo bem; a gente quer abandonar tudo e sair andando como se não houvesse amanhã.
Muitas vezes, a gente não está aguentando mais muita coisa. Às vezes é o trabalho atual, não ter um trabalho, a vida financeira, a faculdade, parentes próximos, amizades, ser adulto… enfim, existe uma infinidade de situações que podem fazer a gente se sentir esgotado, com o copo transbordando.
E será que realmente fugir dessa situação pode ajudar em algo?
Sendo muito sincera, às vezes é bem importante a gente dar um tempo das coisas, respirar novos ares para voltar melhor e reconhecer que uma situação pode ser apenas uma fase — mas também pode não ser. E como podemos encarar isso ao ponto de não pirar?
Esses dias, eu estava conversando sobre comportamento com uma amiga, e estávamos falando de como alguns comportamentos se repetem sem as pessoas ao menos se conhecerem. Ela estava contando sobre uma vivência pessoal dela, e eu sobre a minha, com nossos crushes, que nunca se viram, e como eles tiveram exatamente a mesma postura e atitude — bizarro.
E eu comentei com ela uma coisa que já ouvi muitas vezes e com a qual eu concordo até certo ponto. O comportamento social é muito complexo para a gente simplesmente mudar, e o que a gente pode mudar, de fato, é a nossa atitude em relação a isso. Eu disse: tem coisas que, se a gente não mudar, vão continuar se repetindo até a gente mudar a nossa postura.
A parte com a qual eu concordo é que, sim, se a gente tiver uma postura diferente em relação ao acontecimento e à pessoa, tudo pode se desenrolar de forma diferente. Mas, convenhamos: se o ambiente continua alimentando um certo tipo de comportamento, será que apenas a nossa atitude vai fazer o outro refletir e mudar? Acho isso bem difícil.
Dito isso, muitas vezes não se trata apenas de mudar a nossa atitude em relação ao outro, mas de entender como as pessoas são criadas, educadas e o contexto social em que estão inseridas. Digo isso porque, muitas vezes, nos sentimos responsáveis pelo comportamento do outro — e isso é péssimo.
Voltando ao querer fugir: será que realmente vale a pena? Será que não seria ainda mais cansativo recomeçar? Por que temos esse tipo de pensamento?
Recomeçar pode ser muito desafiador na maioria das vezes. Digo isso na voz de alguém que não tem privilégios — ter privilégios pode mudar a sensação de não passar perrengue financeiro, mas e o emocional?
Em muitos casos, tudo depende da situação. Existem mudanças pequenas que você pode fazer e que não geram tanto impacto, como mudar hábitos: comer mais frutas e menos açúcar, cuidar mais da saúde e do corpo, prestar atenção no que consome na internet. Mas também existem mudanças maiores: mudar de casa, de estado, de país… e, definitivamente, começar tudo de novo.
Os dois tipos de mudança são importantes. As pequenas constroem algo a longo prazo. Já as grandes exigem mais planejamento e estrutura. Muitas vezes, a gente idealiza uma mudança e, quando chega lá, é outra realidade. Podemos fantasiar e achar que não será tão desafiador, mas posso afirmar: é preciso muita inteligência emocional e resiliência para lidar com o novo.
Então, muitas vezes, o que a gente está precisando mesmo é de férias.

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