Redes sociais e solidão: como o digital está afetando nossas conexões reais

 


Sabe aquele momento em que você vê que tem grandes interações nas redes sociais e, ao mesmo tempo, se sente sozinha?

Por um período, no ano passado, eu tive um cansaço digital e senti que precisava de conexões reais na minha vida. Eu cansei de interagir com as pessoas somente digitalmente e comecei a buscar conexões reais, pessoas que estavam no meu convívio — seja na academia, na faculdade — ou, muitas vezes, eu ia garimpar em brechós para ficar conversando com a dona do brechó.

Talvez isso pareça uma carência afetiva, e pode ser até que seja, mas quero muito trazer a reflexão de como nos sentimos. Pelo menos comigo foi assim: saber muitas coisas da vida da pessoa — onde ela vai, o que ela come, as atividades que faz no dia a dia —, mas ao mesmo tempo se sentir distante dessa pessoa, sem o calor humano, sem a troca presencial de ideias, de energia… enfim, tudo o que um relacionamento presencial pode nos trazer.

E eu observei que, ao sair das redes sociais, dependendo do seu convívio com pessoas reais, você pode se sentir ainda mais sozinho. Porque, quando você desaparece das redes sociais, raramente alguém te pergunta: “o que houve? Senti sua falta.” As pessoas simplesmente seguem a vida delas sem a sua presença digital.

No semestre atual, estou tendo uma matéria na faculdade sobre redes sociais e como elas influenciam a nossa vida cotidiana, nossas escolhas e a persona que a gente quer mostrar para os nossos “amigos digitais”. Eu simplesmente fiquei com a minha cabeça explodindo com um conteúdo que me fez refletir sobre um comportamento que tive no ano passado, e me trouxe uma visão mais clara do porquê eu fiquei cansada digitalmente.

Quando, em aula, somos levados a refletir sobre por que nos apresentamos nas redes sociais, como nos apresentamos, qual persona estamos mostrando e como as redes sociais são programadas para nos deixar viciados e querer sempre estar lá consumindo… inclusive, eu já fiz um texto aqui falando sobre como eu estava voltando a ficar viciada nas redes sociais e quais dicas estou seguindo para não cair novamente nessa armadilha e procrastinar meus planos — você pode ler aqui

Resumindo as aulas: no início falamos sobre como as big techs sabem exatamente como prender a atenção do público, fornecemos informações, ou seja, o algoritmo está lá nos mostrando coisas que queremos afirmar para nós mesmos como verdade — ou seja, a nossa verdade. E como isso nos faz perder 1h, 2h, 3h, 4h do nosso dia facilmente, sem pararmos para analisar o nosso tempo nas redes sociais e qual o impacto disso para a nossa evolução.

Uma pesquisa rápida no Google: “o que acontece com nosso cérebro se ficamos muito tempo nas redes sociais?”

O uso excessivo de redes sociais reprograma o cérebro para buscar dopamina rápida, viciando o sistema de recompensa e reduzindo a atenção, memória e foco, resultando em “brain rot” (deterioração mental). O excesso de estímulos gera ansiedade, depressão e dependência, além de diminuir a capacidade de concentração em tarefas longas.

O Google traz um texto bem maior, com vídeos explicativos no YouTube sobre o tema. Entre eles está o “brain rot” (deterioração mental), palavra do ano escolhida pela Oxford

Existem muitos documentários falando sobre redes sociais, inclusive com entrevistas com ex-funcionários dessas big techs. Um deles é “O Dilema das Redes”, que eu já assisti, e acredito que seja interessante você explorar esse tipo de conteúdo.

Não estou dizendo que você deve abandonar as redes sociais, até porque esse é o nosso mundo atual. Mas olhar para o uso delas com mais consciência, para que não distraiam você das coisas que deseja realizar — seja na sua vida pessoal, profissional, amorosa… enfim. Fique atento.

E, nessa semana, na aula, o professor nos mostrou como são os “atores” das redes sociais — ou seja, como nós nos mostramos, as pessoas, os influenciadores, que cresceram muito nos últimos anos — e como nós interagimos com a rede social, que não necessariamente é com a pessoa. 

Nesse momento, minha cabeça explodiu.

E o professor explicou sobre conexões reais: aquelas em que você encontra a pessoa e não precisa de uma rede social para interagir. Você está ali, cara a cara.

Na hora, minha cabeça fez uma ligação com o que eu estava sentindo. Eu interagia online com as pessoas, mas não era isso que eu queria. Eu sentia falta de conversar sem precisar olhar redes sociais, de saber o que estava acontecendo com os meus amigos pelo contato direto — viver o momento com aquela pessoa, desfrutar da presença dela, ter essa conexão gostosa, ao vivo, sem edição.

E isso fez muito sentido para mim sobre como, hoje em dia, é tão difícil organizar encontros reais. Porque as pessoas criam uma falsa ilusão de que estão interagindo nas redes sociais, quando, na verdade, estamos interagindo com uma empresa que quer prender nossa atenção.

Para finalizar, gostaria de saber: como está o seu relacionamento com os seus amigos? As pessoas que você ama estão conseguindo se ver e marcar encontros?

Talvez seja um momento para refletir sobre isso.

Um grande beijo e até o próximo.

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