Por que é tão difícil dizer não: como criar limites sem culpa


Você talvez já tenha se deparado com uma situação em que tenha sido muito difícil dizer não para a outra pessoa, mas acabou dizendo sim e, automaticamente, dizendo não para algo que você precisaria ou gostaria de fazer.

Esse é um tema que já trouxe aqui, mas decidi bater na mesma tecla, porque com o tempo a gente vai tendo outras percepções e vai mudando algumas coisas sobre o mesmo tema. Acredito que seja importante reavaliar a nossa percepção a respeito. 

Não saber dizer NÃO é algo tão comum, porque na maioria das vezes, principalmente se você é mulher, somos ensinadas a sempre servir, sempre ser disponíveis, e se não servirmos estaremos sendo egoístas, e isso não é algo positivo para a sociedade.

Agora, uma pergunta que eu sempre me faço quando isso acontece: e se eu estiver sendo egoísta? Qual é o problema em ser egoísta?

Eu não sei você, mas eu tive uma criação em que fui ensinada a “fazer o bem sem olhar a quem”, “perdoar sempre, porque a Bíblia diz que temos que perdoar 70x7”. Enfim, essas são algumas das falas e crenças em que eu cresci acreditando como verdade, e que muitas vezes me faziam achar que eu estava errada por não seguir esse ensinamento. Muitas vezes eu me culpava, e quando acontecia algo ruim, rapidamente eu associava ao fato de ter me negado a estar disponível, ao perdão que eu não concedi. E hoje ainda tenho resquícios dessas crenças, que às vezes me fazem duvidar de mim mesma por talvez eu não estar cedendo ou perdoando.

As crenças muitas vezes podem ser um trabalho árduo para você desapegar, mudar e transcender, porque muitas vezes apenas repetimos e não nos questionamos: por que eu tenho essas atitudes? Claro que, na maioria das vezes, não vamos nos incomodar, desde que tais atitudes não nos gerem indignação a ponto de você pensar: essas atitudes estão atrapalhando ou impedindo o meu desenvolvimento?

A indignação, o inconformismo e esse incômodo são algo muito individual, e para cada pessoa podem ser observados de diversas maneiras. O importante na vida é o nosso questionamento contínuo e a nossa curiosidade de saber: por que preciso repetir um padrão? Até que ponto essa repetição está me ajudando a evoluir?

Em muitos momentos eu também me questiono: e por que evoluir? Qual é a necessidade de evoluir, se já temos uma receita pronta?

E nesses questionamentos acabo entrando em consenso sobre o que faz sentido para a minha realidade, porque eu simplesmente acho um absurdo ter regras e receitas prontas para assuntos que são complexos. Precisamos desenvolver nossos próprios pensamentos críticos acerca de um tema. Também não acredito que isso seja uma regra a ser seguida, mas acredito que cada pessoa evolui, aprende e se desenvolve através de suas próprias perspectivas e vontade de evoluir.

Em todos os casos, é necessário que, independentemente da experiência de pessoas X ou Y, você desenvolva suas habilidades de saber até onde dizer não, até onde você necessita se moldar para que consiga atingir seu objetivo de conquistar coisas para você, que muitas vezes você deixa para depois por não desenvolver a habilidade de dizer não para as pessoas e sim para você.

Nesse caminho de aprender a dizer não, no começo foi bem desafiador, e com o tempo eu comecei a dizer não para tudo — tudo, literalmente, que poderia me tirar do meu objetivo. E, mais pra frente, fui aprendendo a equalizar as coisas e também ceder um pouco às vezes, por mais que eu ficasse cansada depois, porque há coisas que você pode não ter a oportunidade de repetir. Algumas coisas são apenas naquele momento, e muitas vezes a maioria delas.

Ou seja, é preciso equalizar de acordo com suas necessidades e até onde você pode fazer algo sem depois se sentir culpada, tanto por fazer demais pelos outros quanto por deixar você de lado. Eu não sei você, mas hoje consigo observar a vida como uma equivalência: vai ter horas que precisamos ceder, vai ter horas que precisamos não ceder, isso parece tão comum na teoria, mas muitas vezes na prática podemos ser muito parciais. 

E assim vamos colocando nossas aulas de matemática em prática: menos (-) com mais (+) é menos (-), mais (+) com mais (+) é mais (+). E nessas “matemáticas” você também coloca a sua interpretação de textos, a sua filosofia de vida, deixando no mundo quem você é, a sua autenticidade. Não somos todos iguais, mas somos todos um.

Vou ficando por aqui, espero que tenham gostado do texto.

Um grande beijo e até o próximo. 

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