Desapego e recomeço: quando a mudança de vida dói, mas transforma

 


Desapego: quando a mudança dói, mas transforma

Às vezes você acha que o que tem é importante e que pode não sobreviver sem, até que um dia você desapega e entende que nada é tão importante quanto não se desapegar da sua verdade e ser fiel às suas escolhas, ser fiel a você mesma.

Hoje, 11/03/2026, entramos em lua minguante e eu não sabia. Vi agora nas fases da lua; inconscientemente me deu vontade de ver isso. A lua minguante pode ser um convite para você analisar o que realmente é importante e fazer uma limpa.

Mudanças na vida e o processo de desapego

Quando olho para trás e vejo quantas coisas, hábitos e pessoas ficaram para trás, hoje não faria nenhum sentido com a minha nova realidade, na minha vida, na minha rotina.

No início dessa grande mudança eu quis morrer, e isso pode até soar como algo muito dramático, até porque eu que fui em busca da mudança. Mas, literalmente, eu gostaria muito de fugir daquela realidade que eu estava vivendo, porque mudar e vivenciar novos hábitos era muito insuportável. Eu me perguntava todos os dias: meu Deus, o que eu fiz da minha vida? Será que foi uma boa escolha para o meu futuro?

Era uma dor que, para mim, naquele momento, era insuportável. “Não romantizo a mudança”: ela dói, e às vezes pode doer muito.

A dificuldade de recomeçar e se recolocar no mercado

Mas o tempo vai passando e a gente vai se acostumando com a nossa nova rotina. Eu comecei com novos hábitos, mas tinha sempre uma preocupação: poxa, ainda não me recoloquei no mercado de trabalho, e quando meu dinheiro acabar, o que eu vou fazer da minha vida caso eu não tenha encontrado nada?

Essas preocupações eram muito frequentes, porque eu seguia as dicas de como se recolocar no mercado, enviava currículos — e isso eu havia começado a fazer antes mesmo de ter largado tudo — e sempre vinham aquelas mensagens no e-mail: decidimos seguir com outro participante; ou a vaga foi congelada, mas em breve poderemos entrar em contato; seu currículo ficará armazenado no nosso banco de dados.

Enfim, isso de certa forma vai gerando muito desconforto, ao ponto de pensar: será que não sou boa o suficiente? Estou muito velha mesmo? E por aí vai uma sequência de pensamentos autodestrutivos.

Criando novos hábitos para atravessar momentos difíceis

Eu encontrei muito aconchego em uma rotina mais equilibrada, como meditar todos os dias, fazer orações. Inclusive, eu fiz aquela oração ao anjo Miguel. Na primeira vez eu quebrei no 5º dia, e na segunda vez fui até o final, ou seja, fiz os 21 dias sem quebrar nenhum.

Muitas coisas aconteceram, mas ainda não sei se foi pela oração. Muitas pessoas dizem que as coisas na casa começam a quebrar e etc., e sim, na minha casa começaram a quebrar algumas coisas, e eu ficava mais desesperada, porque pensava: meu Deus, já estou vivendo de economias e justamente agora as coisas decidem quebrar?

Mas foi muito bom para um momento de angústia que eu estava vivendo. Obviamente não fiquei contente com coisas quebrando na casa, mas tentei racionalizar meus pensamentos: em todo momento coisas podem quebrar na casa, então não vou me bitolar por isso. Vou deixar fluir e vamos ver no que dá.

A tentativa de recomeçar em outro lugar

Com o passar do tempo o dinheiro foi acabando e eu surtando a conta gotas, porque passavam-se os dias e nada mudava. Nessa época eu já estava morando no Mato Grosso, onde havia me informado por vídeos e alguns parentes conhecidos que era um lugar que estava em crescimento e eu poderia ter oportunidades.

E de fato até tive algumas, mas nenhuma que valesse a pena, porque eu tinha aluguel, faculdade e comida para comprar, e os salários de quem estava começando não eram compatíveis com o meu estilo de vida, e a última coisa que eu gostaria de fazer, era trancar a faculdade.

Foram momentos de eu dizer: socorro, Deus, você não vai fazer nada por mim? Vai ficar olhando e não vai movimentar nada?

Mas segui a vida na faculdade, tentando fazer networking, entregando currículos. Teve um professor muito gente boa que pediu meu currículo e falou que me ajudaria, mas eu não aguentei ficar mais que sete meses em um lugar que, infelizmente, eu não me adaptei, tanto pela questão climática quanto pelo estilo de vida. Era muita coisa para mudar de uma vez só.

Voltar para casa também pode ser um recomeço

Então decidi voltar para São Paulo e recomeçar na casa dos meus pais, onde, bem ou mal, eu teria a rede de apoio dos familiares de alguma forma, mesmo que seja apenas para conversar e não pagar aluguel, o que já é uma grande coisa.

E é onde estou até o momento, fazendo as minhas mudanças e aceitando que as coisas não acontecem no tempo que achamos que vão acontecer. Elas acontecem no tempo delas.

E eu demorei quase três anos para entender esse fluxo da vida na prática, porque falar é muito lindo, mas viver para depois dizer como é, sempre mostra que, na teoria, a prática é outra.

O verdadeiro significado do desapego

E no final das contas, para resumir desapegos — nosso tema inicial —, muitas vezes nós nos apegamos a coisas e pessoas que, naquele momento, são totalmente indispensáveis.

Mas muitas vezes esse apanhado de coisas não faz parte do futuro que você tanto quer.

Aceitar isso na prática, para mim, foi bem doloroso. Mas hoje posso afirmar que algumas mudanças, após passar pela dor da negação, do ódio e de muita indignação, trazem a parte boa: aceitar sua nova versão :)

Espero que tenham gostado da minha reflexão sobre desapegos.

E já me conta: qual foi a sua experiência com algum desapego que você fez na sua vida?

Um grande beijo e até o próximo.

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