Crescer também é perder versões de você: como o ballet tem me ajudado a curar traumas

 


Sabe aqueles dias que são bem corridos, mas você tem reflexões de coisas que estão mudando na sua vida? Coisas do tipo que antes você se importava tanto e agora começam a ser apenas coisas da vida — e a vida é como ela é, não como gostaríamos que ela fosse.

Pois bem, eu fui à aula de ballet essa semana e, no meu aquecimento, comecei a pensar em como o ballet tem sido uma verdadeira ajuda na racionalização de traumas. E eu vou contextualizar, porque, pelo menos para mim, isso foi uma grande novidade — e eu jamais imaginava que uma dança poderia me ajudar com traumas.

Dito isso, dias atrás eu estava buscando vídeos de alongamento, especificamente para destravar o quadril, porque, em todos os casos no ballet, precisamos fazer exercícios de alongamento — isso é imprescindível para ter um bom desenvolvimento nas técnicas e nos movimentos.

E, nessa busca por vídeos para fazer alongamentos em casa, encontrei um vídeo que falava sobre o músculo “psoas (ou iliopsoas)”, um músculo profundo que conecta a coluna lombar às pernas, passando pelo quadril. Ele é chamado assim por armazenar tensões emocionais, medos e traumas, reagindo diretamente ao estresse e ao sistema nervoso autônomo, além de estabilizar a postura e permitir o movimento de andar.

Ao me deparar com esse vídeo, eu tive memórias de coisas da minha infância que me geraram traumas, e que, na minha cabeça, essas lembranças eram involuntárias. No momento, eu cruzei as informações e pensei: preciso levar isso para a terapia e saber o que minha terapeuta diz a respeito, e se realmente isso faz sentido, se ela sabe de algum estudo a respeito.

Na minha terapia, conversei com a minha terapeuta sobre isso, e ela falou que faz todo sentido. Inclusive, muitos assuntos que eu não trazia à tona — coisas de infância que a gente nem se recorda — ficam guardados, porque essa recordação nos traz dores que não queremos acessar, e isso é mais comum do que imaginamos.

E nesse momento de autocuidado e de começar a praticar um novo hobby, as coisas passaram a ser diferentes, principalmente quando eu comecei a realmente levar a sério esse hobby de ballet, de começar a querer realmente dançar com a alma. Porque, até então, quando comecei, foi algo ali para tampar um buraco, foi um passatempo. E hoje, olhando para esse hobby, ele está sendo muito mais que isso: está me trazendo mais felicidade em ter mais consciência corporal e, em contrapartida, me ajudando em traumas que eu não acessava porque doía muito. Gente, sério… juro.

Isso me faz pensar em algo muito importante: como é bom a gente conhecer mais profundamente o que estamos fazendo e como essa atividade pode impactar a nossa vida, positiva e negativamente.

E isso me faz ver o quanto eu deixei versões de mim para trás e hoje tenho novas versões fazendo coisas que, para mim, antes eram algo totalmente “nossa, por que vou fazer isso?” ou “nossa, eu acho isso legal e vou fazer porque na infância eu não tive oportunidade e, como agora tenho, vou fazer”.

Aí entro naquela coisa de “e se”: e se eu não fizesse as coisas pensando no que as pessoas vão achar ou pensar? Ou achar que estou velha demais para começar algo novo?

Esse é um lembrete para você não deixar de fazer coisas que você gosta e que você tem vontade por julgamentos externos. Siga seu coração.

Um grande beijo e até o próximo.

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