Muitas vezes a gente fala: “se eu tivesse a cabeça que eu tenho hoje, com a vitalidade de 20 anos, eu teria um futuro totalmente diferente”.
Eu achava que essa frase era apenas uma repetição ou uma falácia, mas, na verdade, ela é tão real quando passamos dos 30 que, quando percebi, eu estava repetindo ela de uma forma tão natural que até me surpreendi. E pensei: ahhh, eu cheguei nessa fase!
E vou compartilhar algumas coisas que mudaram na minha vida, na minha rotina, e que eu não tenho saudades de como era antes. Hoje vivo como se fosse o auge do meu querer, de fazer coisas que tenho vontade, de viver intensamente e de me valorizar da maneira que mereço.
A primeira coisa que eu parei de fazer foi parar de querer aprovação ou fazer várias coisas que eu fazia, mesmo estando exausta, para agradar meu entorno. Hoje eu simplesmente falo NÃO. E falar SIM para mim foi algo tão libertador, porque quem é de verdade vai continuar com você, com o seu “não” e com os novos limites que você vai impor.
Não fazer as coisas para agradar a sociedade é algo extremamente libertador. Mas as coisas que nos trazem liberdade têm seu preço, e muitas vezes a gente acaba desistindo agradar a nós, para agradar a sociedade, porque, de certa forma, o retorno é válido ou “macio” para o nosso ego. E muitas vezes não queremos desfazer o nosso ego, queremos mantê-lo ali, alimentado — aqui eu chamaria ego de vaidade.
Aproveitar a própria companhia ao ponto de não pensar em ninguém… do tipo: fui a um rolê sozinha e não senti falta de estar com ninguém, porque me sinto extremamente confortável comigo mesma. Quando comecei a sair sozinha, eu tinha uns 26 anos — viajei sozinha, fui ao cinema —, mas eu não aproveitava tanto assim, porque na minha cabeça eu ainda achava que, se estivesse acompanhada, eu seria mais completa e feliz. Que tolice.
E depois de pegar gosto por sair sozinha, você passa a preferir tanto estar sozinha em todos os lugares… literalmente, é algo libertador. E não existe mais aquela dificuldade de marcar rolês, porque muitas vezes a outra pessoa não quer ir ao mesmo lugar que você, não sabe dizer não, e fica aquela enrolação que tira a nossa paz.
O amor-próprio vai aumentando, e a gente vai descobrindo novas versões que estavam escondidas. Como, por exemplo: não preciso me arrumar tanto para isso, vou me sentindo confortável — isso, para mim, foi o auge.
Não me importar com a opinião das pessoas é um combo de amor-próprio com “estou blindada de qualquer fala ou achismo infeliz”.
Vamos combinar que não ligar para a opinião dos outros é algo totalmente libertador? Sei que estou falando muito de liberdade, mas é realmente isso que começamos a sentir e valorizar.
Se autoconhecer ao ponto de não deixar alguém vir dizer o que você deveria ou não fazer… isso aqui é maravilhoso. Porque muitas pessoas têm milhões de coisas para melhorar em suas próprias vidas, mas preferem opinar na nossa, porque é mais fácil. E se conhecer ao ponto de se posicionar, dizer quem você é, e não deixar que ninguém imponha achismos em você — isso é tão gostoso que dá até vontade de gargalhar.
Não se submeter a macho escroto. Ai, gente… às vezes a gente se diminui por tão pouca coisa, né? Vamos combinar? E isso nunca foi muito meu forte, mas confesso que tive meus momentos de falta de noção e carência.
E a carência passa a ser algo com pouquíssima frequência quando aprendemos a amar nossa própria companhia e reconhecemos nosso valor, ao ponto de não querer ficar com alguém que não valoriza a nossa presença.
Valorizar o meu tempo foi algo que comecei a olhar com muito mais carinho. Parei de investir tempo em coisas e pessoas que não valiam a pena. Sabe aquelas companhias que fazem você voltar para casa duvidando de si mesma? Pessoas que só enxergam defeitos, muitas vezes minúsculos?
O tempo se torna algo extremamente valioso. Ele não volta. E aprender a investir o tempo em coisas que realmente fazem bem muda tudo. Não estamos mais dispostas a negociar nosso tempo, porque começamos a entender o valor dele.
O dinheiro também muda de lugar na nossa vida. Surge uma consciência de não querer gastar de forma irresponsável e compulsiva, porque entendemos que compras estão ligadas à emoção. Então passamos a cuidar melhor das nossas emoções, para que o consumo não seja uma forma de tapar buracos emocionais.
O dinheiro passa a ser investido em coisas úteis, e como trabalhamos duro por ele, nada melhor do que direcionar para o que realmente faz sentido e nos faz felizes.
E vocês, o que aprenderam depois dos 30? Vou amar saber.
Beijos e até o próximo.

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