Quantas vezes você já ouviu opiniões ou até mesmo questionamentos com opiniões formadas sobre o que você estava mudando na sua vida?
Comigo foi exatamente assim e, no decorrer da minha transição de carreira, eu aprendi uma coisa muito importante: sobre o silêncio e como é importante não ficar explanando nossos planos para as pessoas.
Eu tinha na minha cabeça que eu estava mudando de carreira e, de certa forma, precisava envolver as pessoas nos meus objetivos, porque, de alguma maneira, elas poderiam me ajudar. Eu pensei isso porque, na maioria das vezes, eu tenho esse tipo de atitude: querer ajudar mais e julgar menos os planos das pessoas.
Mas, no decorrer da transição de carreira, percebi que as pessoas estão cheias de suas próprias opiniões — e não tem nada de errado nisso, desde que isso não atrapalhe o seu processo de transição.
Eu ouvi muitas coisas do tipo “você é doida”. E isso, por mais que eu entendesse que eu era uma pessoa corajosa e que estava largando tudo o que havia conquistado até aquele momento, mexia comigo. Afinal, foi uma decisão muito pensada. Eu estava deixando para trás algo que eu tinha trabalhado praticamente por 10 anos da minha vida. Não foi uma carreira de 10 dias.
Tudo isso já me afetava, porque eu analisei muito as coisas antes de mudar. Também fui um pouco precipitada, eu diria, mas eu sabia que a mudança precisava acontecer. Caso contrário, eu não poderia estar aqui hoje, contando sobre essa mudança e trazendo essa experiência.
Um aprendizado que levo para a vida é: se você está em transição, conte o mínimo possível para as pessoas à sua volta. Parece um tanto egoísta — e talvez até seja — mas isso é uma forma de proteger os seus planos.
Cheguei a essa conclusão porque a maioria das pessoas não está transitando de carreira e também não pensa em fazer isso um dia. E não vamos romantizar a mudança. Eu não gosto de fazer isso. As coisas precisam ser transparentes ao ponto de você saber exatamente onde está pisando.
Nesse momento de transição, o mais importante para você que quer transitar é procurar pessoas que estão no mesmo movimento que você, para ouvir experiências, dicas e histórias que te motivem. Imagine você ouvir, no auge da sua mudança, “você é doida”, vindo, na maioria das vezes, de pessoas que nunca tentaram nada novo na vida e que estão sempre buscando caminhos seguros — do ponto de vista delas. Porque nada na vida é eterno ou totalmente seguro.
Muitas vezes eu ouvia, de pessoas para as quais eu não perguntava absolutamente nada, opiniões sobre o que eu deveria ou não fazer da minha carreira. Eu sempre ouvi isso com atenção, mas principalmente com atenção à história da pessoa. Porque não adianta querer ouvir conselhos de alguém que não tem experiência ou propriedade sobre o que está falando. Como falar sobre algo que não se viveu, nem na teoria nem na prática? Difícil, não é?
Esse sempre foi um ponto ao qual prestei muita atenção. No começo, de certa forma, isso não me impactou tanto, porque eu tinha tanta energia para essa mudança que simplesmente ignorava o que as pessoas falavam. Eu pensava: a minha história é sobre o que eu estou construindo para mim, e não sobre o que as pessoas querem construir para mim.
Muitas vezes, a visão de alguém de fora pode vir do cuidado, de não querer te ver passando por sufoco. Mas também pode vir do desejo reprimido de fazer o que você está fazendo e não ter coragem. Por isso, é importante sermos analíticos e não comentar nossos planos com pessoas que não se alegram com as carreiras que queremos construir. Isso também faz parte da vida.
Pode ser que algumas pessoas fiquem nas páginas do seu passado — e não há nenhum problema nisso. Muitas vezes, elas também não fazem questão de estar no seu presente. E isso pode ser, inclusive, um livramento.
Mudar de carreira, transitar de carreira ou mudar qualquer coisa na sua vida exige tarefas como: analisar a sua própria vida, ter autoconhecimento ao ponto de não ter dúvidas sobre o que você realmente quer, não sair contando para todo mundo achando que as pessoas podem, de alguma maneira, te ajudar (esse foi o meu maior erro), traçar um caminho para seguir — sabendo que ele pode acontecer de forma totalmente diferente do que você imaginou — e, por fim, ser a sua maior fã.
Parabenize-se pelos pequenos passos, porque são eles que, somados, constroem uma grande escada.
Ficar em silêncio pode parecer difícil. E se você, assim como eu, tinha o costume de sair contando tudo para as pessoas, aprenda agora mesmo a fazer pequenas coisas sem contar para ninguém. Faça pequenos exercícios, porque os grandes vêm de maneira natural.
Eu sei que, muitas vezes, você vai querer desistir e voltar atrás, porque é um processo doloroso. Mas lembre-se todos os dias do porquê você decidiu mudar.
Espero muito ter ajudado em algo na sua vida com esse textinho da minha experiência.
Se você tiver alguma dúvida/sugestão, fique à vontade para comentar.
Um grande big beijo e até a próxima!



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