Fim de ano e a ilusão dos novos começos: precisamos mesmo recomeçar?



Esse post está um pouco atrasado, I know, mas eu não poderia deixá-lo passar em branco. Justamente porque, no ano passado, também escrevi um texto sobre o final do ano, e eu queria muito registrar as reflexões de 2025.

Quero compartilhar pensamentos que são muito atuais. Alguns são os mesmos de antes, outros talvez não. Mas, sem dúvida, todos refletem, de alguma maneira, esse inconsciente coletivo típico do final de ano: aquela cobrança silenciosa sobre tudo o que você fez (ou não fez) ao longo dos meses. Como se, caso você não tenha feito grandes coisas, você se tornasse uma pessoa esquecida. Ai, gente… pelo amor, né?

Mas vamos lá.

Final de ano é sempre aquela correria: comprar presentes, escolher o lookinho vermelho para usar no Natal — inclusive, esse Natal de 2025 está de parabéns. Quanta gente de vermelho! Aqui bateu recorde. E por aí?

Junto com essa sensação de consumo, vem também a ideia de que estamos encerrando mais um ciclo. Mas será mesmo que estamos?

Aqui começa a minha grande viagem — mas, pra mim, ela faz sentido. As pessoas falam tanto que o ano está acabando, que agora vêm novos ideais, novas metas, novas versões de si mesmas. “O que você vai fazer de novo no próximo ano?”. Quando, na verdade, é apenas mais um número sendo apontado. Um ano a mais que vivemos.

Não adianta mudar o número se você não quer, de fato, fazer algo diferente. E esse post não é para te incentivar a mudar\não mudar, fazer mais ou se reinventar. É para dizer algo muito simples, mas necessário: está tudo bem se você estiver apenas vivendo. Está tudo bem se você não estiver fazendo nada de extraordinário.



Eu sempre fui a pessoa que se cobra. Todo ano. Independente de Natal ou Ano Novo, eu sempre busquei fazer algo novo, reinventar meus passos, criar desafios. Por muito tempo, eu acreditava que as pessoas também deveriam viver assim para terem novas experiências, para sentirem o prazer de se desafiar.

Até que eu entendi que também já vivi fases da minha vida em que eu estava apenas vivendo\sobrevivendo. Trabalhando, comprando as coisas que desejava, viajando para onde tinha vontade. Sem essa pressão constante de “fazer algo novo”, “arrumar um novo hobby”, “acordar às 5h da manhã”.

E, sinceramente? Esse tempo de não fazer nada novo também foi uma experiência válida. Ela também me ensinou.

Lembro até daquele meme clássico: a pessoa diz “mãe, quero ir em tal lugar, e a mãe responde: você não vai!!!

Nossa mãe, mas todo mundo vai. E a mãe responde:

-“E você é todo mundo?”. 




Quando a gente olha por essa ótica, cai um pouco na real sobre não precisar fazer o tempo todo o que todo mundo está fazendo.

Mas, ao mesmo tempo, a gente vive cercado por esse inconsciente coletivo. Estamos imersos nele. E, muitas vezes, não há muito para onde fugir — a não ser que você escolha seguir seus planos sozinho. Quando isso acontece, você sai um pouco desse fluxo comum. Eu já vivi isso em alguns momentos da minha vida, e foi uma experiência que também me trouxe evolução.

Agora pensa comigo: se estamos todos em um barco, no meio do mar, indo na mesma direção, sair desse barco para ter atitudes mais autorais exige esforço. Dá trabalho.

Hoje, eu vejo o final de ano exatamente assim. Por mais que a gente tente fugir desse turbilhão de expectativas, metas e comparações, em algum momento isso respinga em nós.

E, sendo bem sincera, essa foi mais uma reflexão do que qualquer outra coisa.

Desejo que você consiga equilibrar o que faz sentido para a sua vida — assim como eu estou tentando fazer. Porque fácil não é.

Beijos e até o próximo :)))

Comentários