Transição de Carreira: Como Viver o Agora Sem se Afogar na Ansiedade pelo Futuro

 



Esperar ansioso ou esperar vivendo? 

Por que estamos sempre correndo atrás do que queremos — e quase nunca valorizando o que já temos? A vida vive tentando nos ensinar algo, mas às vezes a ansiedade fala mais alto. Tem uma frase do Lacan que sempre me atravessa:

“Somos seres desejantes destinados à incompletude — e é isso que nos faz caminhar.”

Forte, né?
Agora, imagina estar completamente satisfeito com tudo. Consegue? Nem eu.

No meu último post, falei sobre gratidão e como ela pode transformar o dia a dia. Mas gratidão não é sinônimo de estagnação. O insight que quero compartilhar agora é sobre como curtir o momento presente, mesmo quando existe aquele desejo que parece gritar dentro da gente.
Porque às vezes você quer tanto algo, idealiza tanto, que quando finalmente conquista… vira um buraco. Um vazio inesperado. Talvez tenha sido uma fantasia. Talvez seja só o ciclo natural das coisas — exatamente como Lacan descreve.

Já idealizei muita coisa na vida. E quando consegui o que tanto sonhei, percebi que a fantasia que eu tinha criado existia apenas dentro da minha cabeça. Hoje dou risada — porque é hilário como podemos ser patéticos. E tudo bem. Isso também faz parte da nossa história.

Mas uma das maiores lições que aprendi (e quero dividir com você, especialmente se está vivendo ansiedade, transição de carreira, recomeços ou aquela urgência de querer tudo pra ontem) é que:

Viver correndo não te leva mais rápido. Só te deixa cansado.


Quando a ansiedade bate forte, o coração acelera, o sono some e parece que você precisa estar em todos os lugares. Mas essa dinâmica não é sustentável. A vida pede pausa.

E foi aí que aprendi a primeira grande lição:


1. Respirar para não pirar

Parece óbvio, né? Mas não é.

Existem estudos sobre disfunções respiratórias que mostram como respiramos mal quando estamos ansiosos. Não vou entrar na parte técnica — quero falar de algo muito simples e transformador:
meditar, respirar fundo e fazer 5 a 10 minutos de introspecção.

Quando comecei a meditar, fazia isso ao acordar. Fechava os olhos, colocava a mão no coração, agradecia pelo dia, respirava fundo… e deixava os pensamentos virem. Porque essa história de “não pensar em nada” nunca funcionou comigo — e nem precisa.

Essa prática mudou minha vida. Nas primeiras semanas foi desafiador, tive até algumas crises existenciais (normal para quem está passando por transição de carreira ou por mudanças internas profundas). Mas depois, tudo ficou mais claro. Comecei a me observar melhor, a me escutar mais.

E percebi algo essencial:
a gente leva todo mundo a sério, menos nós mesmos.

2. Escreva seus sentimentos

Escrever sempre fez parte de mim — mas eu não escrevia sobre mim: minhas emoções, medos, sonhos, nem os sonhos que eu tinha dormindo (que, aliás, trazem muitos insights, principalmente quando trabalhados em terapia).

Colocar tudo no papel é quase terapêutico. É um jeito de organizar o caos interno, de ver o que você está vivendo com mais clareza.
É assumir sua história.

Escreva sem filtro. Abra o coração.
Faça disso um ritual.

Para quem está vivendo uma transição de carreira

Talvez você esteja lendo esse texto porque está mudando de profissão, pensando em recomeçar ou sentindo aquele peso da ansiedade que vem quando “a vida parece não andar”.

E eu preciso te lembrar disso:

Esperar ansioso é sobreviver.
Esperar vivendo é existir.

Você pode desejar o futuro — claro. Mas não pode abandonar o presente no processo.

A vida acontece no agora.
E é justamente aqui, nesse momento, que você se constrói para o que vem depois.


E agora eu quero te ouvir.

Você também já viveu essa ansiedade entre o que deseja e o que vive hoje?
Como tem sido o seu processo — seja de transição de carreira, de vida ou de autoconhecimento?

Compartilha sua experiência aqui nos comentários.
Seu relato pode ajudar outras pessoas que estão passando pelo mesmo caminho. 💛

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