Estou lendo um livro que tem sido muito legal. Com ele, aprendi, relembrei e voltei a colocar algumas coisas em prática.
Nós, meros mortais, nos esquecemos facilmente de bons hábitos quando não os praticamos diariamente. É muito comum parar de fazer coisas que nos fazem bem. Por outro lado, os maus hábitos, como reclamar, parecem nunca ser deixados de lado.
Confesso que, nos últimos tempos, fiquei um pouco em “off” e coloquei na minha cabeça que não falaria mais dos hábitos ruins das pessoas (pelo menos do meu ponto de vista). Quando acabo comentando sobre isso em algum momento, especialmente sobre alguém próximo, me sinto mal.
Ou seja, quando deixamos um bom hábito de lado, também nos sentimos mal.
Um dos hábitos que aprendi ao longo da vida foi o de agradecer. E não simplesmente falar “gratidão” ou se dizer “gratiluz”, mas praticar a gratidão de forma consciente. É um exercício diário que consiste em escrever, todos os dias, pelo menos 20 coisas pelas quais você é grato.
Por exemplo: sou grata pela minha saúde, pelos meus olhos, pelas minhas mãos, pelo alimento, pela oportunidade de conquistar algo, pela minha mãe, pelo meu pai, pelo meu trabalho, pelos meus irmãos (identificar cada um pelo nome), pelo meu bichinho de estimação... e por aí vai.
Ao praticar isso, começamos a enxergar o quanto somos ricos em coisas maravilhosas. Muitas vezes, essas riquezas passam despercebidas porque não focamos nas coisas boas que a vida nos proporciona.
Não estou dizendo que a vida é um morango — jamais. Até porque, se for para reclamar e criticar, pode me chamar, porque eu também tenho muitas críticas. Mas depois que comecei a exercitar a gratidão, percebi mudanças bruscas na minha vida.
Tudo passou a se alinhar: a fé, a energia e o movimento de focar nas coisas boas. E, assim, nasce um novo olhar para a vida.
Não quero descartar que sou uma pessoa de extremos. Ora sou muito otimista, ora muito negativa. Diria que sou 8 ou 80. Essa dualidade tão presente na minha vida me faz ter olhares totalmente diferentes. Não descarto nenhum deles, porque acredito que ser muito negativo pode ser ruim, mas ser totalmente otimista é ainda pior.
Uma das histórias mais interessantes que li no livro foi a de uma mulher, que morava em um barco cheio de buracos. Ela dizia não ter nada para agradecer. O autor começou a perguntar como ela sobrevivia — e vejam, “sobreviver” não é nem “viver”.
A mulher respondeu que tinha algumas panelas, o barquinho e a família. Ele, então, disse a ela que precisava agradecer, pelo menos 100 vezes, por cada item que possuía. Assim, ela contabilizou que teria mil motivos de gratidão por dia.
Algum tempo depois, quando o autor retornou à cidade para dar outra palestra, essa mesma mulher contou que havia conseguido comprar uma casa. Agradeceu profundamente pelo exercício que ele havia ensinado. Ele reforça que não foi apenas a gratidão que transformou a vida dela, mas o fato de mentalizar coisas boas e colocar energia nisso pode, sim, ser um impulso para alcançar o que se deseja.
Esse é exatamente o exercício que eu costumava fazer todos os dias: agradecer pelo simples fato de abrir os olhos, ter saúde, levantar, trabalhar e ser útil para mim mesma e para alguém que desejasse aprender algo ou compartilhar um momento comigo.
Nos últimos tempos, em meio a mudanças e transições, percebi em mim uma negatividade profunda. Mudar de carreira, recomeçar, reaprender... tudo isso é doloroso. Para um adulto, pode ser desconfortável se colocar no lugar de “não sei, me ensina”. Muitas pessoas não têm paciência de ensinar; preferem fazer por conta própria a orientar, acompanhar e dar feedbacks.
É bem diferente das crianças, que amam aprender e não têm vergonha de perguntar. Elas não se preocupam em fazer uma “pergunta burra”, simplesmente perguntam — e seja o que Deus quiser.
Mas essa criança dentro de nós acaba morrendo. Passamos a ser orgulhosos e não queremos nos expor como quem “não sabe”. Para os adultos, se torna uma vergonha não estar informado. E eu me pergunto: por que isso é tão vergonhoso assim?
Eu, por exemplo, não tenho tanto orgulho. Muitas vezes pergunto com a inocência de uma criança. Mas alguns adultos riem de mim, como quem diz: “Nossa, você não sabe disso? Como assim?”.
E é aí que muitas pessoas param de aprender: porque não querem se passar por quem não sabe de algo. Isso prejudica o desenvolvimento e atrapalha a prosperidade. E prosperidade, para mim, não é apenas sobre dinheiro, mas também sobre conhecimento e a forma como colocamos em prática o que aprendemos.
O livro que estou lendo se chama A Prosperidade em Suas Mãos. Muitas pessoas acreditam que prosperidade é apenas sobre dinheiro. Sim, o dinheiro é uma parte dela, mas não é tudo. Prosperidade é muito mais do que isso.
Outra parte que gostei muito no livro fala sobre como nos relacionamos, como olhamos o mundo e como exercitamos a fé. Apesar de o autor trazer um viés religioso, o livro é didático e de fácil entendimento. Acho uma ótima leitura para quem nunca se aprofundou nesse tema.
Ganhei esse livro da minha tia há quase dois anos e, agora que estou numa fase de ler todos os livros que tenho, coloquei-o na sequência. Foi no momento certo, já que ando passando por uma fase de baixo astral e pensamentos negativos, que acabam influenciando nas minhas atitudes.
Esses dias, indo para o trabalho, estava me sentindo pesarosa. Pensava: “Poxa, eu poderia estar em casa, descansando, vendo um filme, fazendo nada”. Mas, no mesmo instante, lembrei do livro e do exercício de agradecer. Corrigi meu pensamento e agradeci por ter um trabalho. Afinal, no meu último emprego eu passava quase 12 horas em pé. Só isso já me dá motivos de sobra para ser grata.
Mas nós, seres humanos desejantes — como dizia Lacan, “somos seres desejantes destinados à incompletude, e é isso que nos faz caminhar” — sempre nos colocamos na posição de reclamar do lugar em que estamos. Porém, será que não estamos melhores do que antes?
Esse livro foi um divisor de águas para este momento da minha vida. Sou muito grata por tê-lo aberto agora. E desejo que você também complemente esse bom hábito na sua vida: o de agradecer todos os dias pelas coisas que tem, do fundo do coração, olhando com carinho para suas conquistas, mesmo as pequenas.
Porque são as pequenas vitórias diárias que constroem as grandes conquistas da nossa história. Eu sei que não é simples, mas é um exercício. E podemos recomeçar todos os dias. Enquanto abrirmos os olhos, teremos uma nova oportunidade de “recomeçar”.
Espero que você olhe para isso com muito carinho.
Um grande beijo e até a próxima!

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